domingo, 19 de setembro de 2010

SÍNDROME DE ASPERGER... alterações prosódicas e semânticas

A síndrome de Asperger caracteriza-se como uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas semelhantes às observadas no autismo.
A síndrome de Asperger (SA), nome dado em homenagem ao pediatra vienense Hans Asperger (1906-1980), é um transtorno de validade nosológica incerta, caracterizado por uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhantes às observadas no autismo, com um repertório de atividades e interesses restritos, estereotipados e repetitivos. O primeiro relato foi feito em 1944 pelo próprio Hans Asperger, mas ele a intitulou na época como psicopatia autistica e somente em 1981, Lorna Wing introduz o termo síndrome de Asperger. Por não ter uma etiologia confirmada, esta síndrome pode levar a diagnósticos tardios, muitas vezes errados, pois a SA facilmente pode ser confundida com outras síndromes, com conseqüências devastadoras para os pacientes, principalmente no que se refere ao desenvolvimento da linguagem desses indivíduos. Em sua primeira descrição Asperger caracterizou o uso estereotipado, desajeitamento, interesses obsessivos e déficits no comportamento social duradouros de personalidade, afetando preferencialmente meninos.
A SA ainda caracteriza-se pela alteração a nível prosódico, com a fala pedante desses indivíduos e dificuldades na semântica como, o sujeito é incapaz de realizar uma representação de uma representação, ou seja, uma metarepresentação com dificuldade em dar significado ao significante e até mesmo de identificar e diferenciar sentimentos.
O tratamento indicado para alteração a nível prosódico e semântico são as terapias fonoaudiológicas onde o fonoaudiólogo vai observar e estimular um melhor desenvolvimento no processo comunicativo interacional no discurso desses indivíduos suavizando a prosódia e automaticamente melhorando e adequando a semântica.

aquisição da linguagem X deficiência auditiva

Fonoaudiólogos X Professores: Troca de conhecimento como forma de beneficiar a identificação e a atuação de ambas as partes no processo de reabilitação do individuo portador de deficiência auditiva.


Segundo Cupello (1993), a aquisição da linguagem é feita parcimoniosamente, com um longo período de estimulação auditiva, para a comunicação, em que a criança vai começando a desenvolver sua linguagem compreensiva.  A primeira palavra, intencional, surge geralmente por volta dos 10 aos 12 meses, e este fato é sem sombra de dúvida, um grande feito. Houve um período de compreensão que antecedeu o da expressão, e isto é um fato importante.
Ainda segundo Cupello (1993), quando a criança atinge este estágio, 60% da maturação neurofisiológica de um adulto foram alcançados pela criança. A grande fronteira que divide a linguagem da pré-linguagem não e totalmente alcançada quando a criança emite sua primeira palavra intencional, na realidade, outros fenômenos ainda ocorrerão mais ou menos até os 18 meses, quando o processo lingüístico deslancha.
O atraso de linguagem pode ser caracterizado quando o potencial lingüístico evidenciado é inferior àquele que é esperado em relação a  idade cronológica da criança, tendo-se como modelo o potencial lingüístico da maioria das crianças da idade em questão. Logo quando uma criança não diz sua primeira frase ate pouco mais de 2 anos, ela também estará num quadro de atraso de linguagem, porque a maioria das crianças dessa faixa etária já se expressa através de frases sendo que na maioria desses atrasos estarão ligados a problemas auditivos. (CUPELLO, 1996).
De acordo com Kaufman (1996), uma criança para ter um bom desenvolvimento lingüístico e necessário que o mesmo tenho uma boa audição e que ela seja estimulada através das suas percepções auditivas.
A atuação fonoaudiológica que tem como enfoque trocar conhecimentos com os professores além de visar a melhora na detecção dos portadores de deficiência auditiva visa também melhorar a atuação fonoaudiologica no tratamento dos deficientes auditivos (DA), pois quanto mais cedo forem identificado os problemas auditivos mais favorável será a reabilitação dos portadores.  
                A deficiência auditiva pode trazer inúmeras conseqüências, no que diz respeito à aquisição da linguagem numa linguagem mais técnica podemos chamar de “seqüelas”; isto acontece, porque a perda auditiva interferira na aquisição da linguagem do individuo. Logo, quando os professores estão a par de todas as formas de conhecimentos sobre como identificar um portador de deficiência auditiva facilitara de forma grandiosa a reabilitação desses portadores de DA. 


Gagueira não tem graça...tem tratamento

A disfemia é um distúrbio da fluência da fala que se caracteriza pela interrupção de ritmo, mais ou menos brusca, da expressão verbal. A ruptura do discurso é acompanhada de outros sinais anormais que afetam funcionalmente a coordenação fono respiratória e o tono muscular, bem como respostas emocionais e negativas.
A este distúrbio do ritmo da fala (gagueira), soma-se uma série de fatores psicopatológicos que complicam o quadro, transformando a disfemia em uma síndrome complexa e de difícil tratamento. A descoordenação dos movimentos seria responsável pela gagueira básica, enquanto a alteração emocional seria um fenômeno secundário à gagueira, adquirido e responsável pela complicação e persistência do distúrbio. Sua etiologia é ainda hoje mal conhecida. Não se reconhece uma causa única, sendo polifatorial.
A semiologia básica da disfemia é constituída por duas formas diferenciadas de gagueira: Gagueira tônica e Gagueira clônica, ambas as formas de gagueira costumam ocorrer concomitantemente no mesmo indivíduo, com maior predomínio de uma delas.
 Tipos de Gagueira
  • Gagueira tônica: caracterizada por uma fala entrecortada, com espasmos que afetam diversos grupos musculares relacionados a fonação, que provocam um bloqueio da fala.
  • Gagueira clônica: produzida por breves e rápidas contrações bucais que dão lugar a uma repetição compulsiva de vocábulos.
 Etiologia
As diferentes versões evocadas acerca da etiologia da disfemia, desde as teorias psicogênicas até as somatogênicas, não foram capazes de dar nada além de explicações parcialmente plausíveis da questão. Atualmente, busca-se uma abordagem integradora que relacione fatores somáticos de caráter hereditário a fatores psicológicos responsáveis pela persistência e complicação do problema.

 Incidência e evolução
As diferentes estatísticas feitas sobre a da incidência da disfemia, pode-se dizer que em torno de 1% das crianças pequenas apresentam anomalias de fluência verbal, que poderiam ser catalogadas como provável disfemia. O certo é que não existem estudos definidos sobre este particular. A disfemia afeta uma mulher para cada 3 ou 4 homens e seu início antes dos 8 anos, em 9 de cada 10 casos.
Em alguns casos, a intensidade da sintomatologia diminui ao chegar a adolescência. Em muito poucos casos, o problema desaparece espontaneamente e na imensa maioria persiste durante toda a vida.

Sintomatologia
  • Dificuldade em articular;
  • Evita falar;
  • Pode articular palavras, mas não frases longas.
Metodologia da Avaliação
            O primeiro encontro do fonoaudiólogo com o indivíduo que gagueja pode ser realizado de modo informal, obtendo se um bom contato terapêutico com o paciente e com a família e buscando os seguintes objetivos: Obter uma impressão diagnóstica confiável, informar brevemente o paciente e/ou família das características do distúrbio e planejar a terapêutica a ser seguida bem como uma primeira impressão de prognóstico sem dar a priori falsas expectativas de solução.
            A avaliação completa requer várias sessões, não somente devido à duração dos testes, mas também em razão da variabilidade da gagueira de um momento para o outro.
            Tratamento
Objetivos do tratamento
A eliminação total da gagueira não pode ser vista como objetivo a ser alcançado com garantias de êxito, sobretudo quanto mais velho for o disfêmico. O ponto de vista terapêutico mais razoável é tentar eliminar o máximo a sintomatologia associada à gagueira, típica de disfemia constituída e, no caso da criança pequena, tentar evitar que a gagueira se complique.

As desordens temporomandibular (DTM) pode ocasionar perda auditiva?

As desordens temporomandibular (DTM) não constituem uma única doença, mais sim um conjunto de sinais e sintomas tais como dor, sons nas articulações temporomandibulares (ATM) e movimentos mandibulares restritos.
Nos últimos anos, manifestações otológicas de pacientes que apresentam DTM tem sido alvo de inúmeras pesquisas. Sintomas como zumbido (tinnitus), vertigens, tonturas, otalgias, cefaléias, sensação de plenitude auricular e de perdas auditivas foram descritas como possíveis manifestações destas desordens.
O músculo tensor do tímpano, o tensor do véu palatino e os músculos da mastigação possuem inervação vinda do trigêmeo. Espamasmos ou hiperatividade dos músculos da mastigação poderiam afetar o músculo tensor do tímpano, gerando um aumento na pressão intralabirintica, isso seria transmitido através da cadeia ossicular.
Como o músculo tensor do tímpano compartilha mudanças similares de tônus com os músculos da mastigação, vibração e clono do mesmo poderiam levar à ocorrência de sintomas como zumbidos, vertigens e alterações auditivas.
Apesar de ainda não existir um consenso sobre origem dos sintomas otológicos em pacientes com DTM, a literatura apresenta uma série de trabalhos que comprovam essa associação e a maioria dos pesquisadores acreditam na possibilidade da DTM causar perda auditiva, uma vez que a desarmonia do sistema estomatognático interfere nas atividades funcionais causando sintomas otológicos.

Maiores informações:
Fonte: http://www.saudeauditiva.org.br/perda_auditiva/perda_detalhe.asp?id=2

AUTORES:
Paulo I. Seraidarian – Mestre e Doutor em Odontologia Restauradora – área de concentração Prótese Buco-Maxilo-Facial, coordenador do curso de Mestrado em Prótese Dentária da PUC-MG, professor responsável pela Disciplina de Oclusão e ATM da Universidade Ibirapuera-Unib, professor assistente do Departamento de Prótese Dental da Faculdade de Odontologia de São José dos Campos-UNESP.

Camilo A. Melgaço - Cirurgião-Dentista graduado pela Faculdade de Odontologia da UFMG, aluno da graduação do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina e Fonoaudiologia da UFMG, aluno do curso de Mestrado em Odontologia-Ortodontia pela Faculdade de Odontologia da UFRJ, professor do curso de Formação de Auxiliares de Consultório Dentário (ACD) da Faculdade de Odontologia da UFMG.

Sônia R. Dutra – Cirurgiã-Dentista graduada pela Faculdade de Odontologia da UFMG, aluna do curso de Residência em Oclusão da PUC-MG, professora do curso de Formação de Auxiliares de Consultório Dentário (ACD) da Faculdade de Odontologia da UFMG.